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Desafios da amamentação - Natália Polettini, mãe e apoiadora do @abracainfancia.

O processo da amamentação é um dos grandes desafios da maternidade. Seja porque o bebê ainda não aprendeu a fazer a pega correta, ou porque não ganha peso de forma adequada, ou porque surge uma mastite, ou porque os bicos estão tão machucados que é até impossível tocá-los.


Normalmente, durante a gravidez, focamos no parto, no enxoval, no quartinho do bebê, na escolha do médico, na maternidade e a amamentação acaba ficando para segundo plano, como se fosse algo para pensarmos apenas depois que o bebê nascer.Porém, amamentar, além de muito instinto, também é técnica!


Procurar por informação antes do nascimento ajuda muito nesse processo. Seja para se preparar psicologicamente, seja para saber sobre a técnica ou para formar a sua rede de apoio.

Penso que antes de vivenciar o momento da amamentação, algumas mamães imaginam que o ato de colocar o bebê no peito já será o bastante para começar a mamar de forma efetiva. Realmente alguns casos desse tipo podem acontecer, mas nem sempre é esse o caminho, uma vez que, é um aprendizado em conjunto mamãe e bebê.É um momento em que precisam de muita ajuda, assistência e apoio para dar certo.


Lembro que quando passei por esse momento, isso aconteceu comigo. Eu pensava: “amamentar é puro instinto, vou colocar minha filha no peito e ela vai mamar e pronto”. Mas não foi assim. Todas as minhas pesquisas pré-parto não englobavam tanto a amamentação e eu também pensava: “vou tentar amamentar, mas se a amamentação não der certo, dou mamadeira e está resolvido!”

Mas quando ela nasceu tudo mudou completamente e o que eu mais queria era ter leite, muito leite para ela mamar, mamar e mamar! Mas ela era uma “neném preguicinha” e dormia muito no peito, eu tinha leite mas ela não puxava o suficiente para engordar e manter a produção. Com isso, a luta para ganho de peso foi grande e bastante estressante.

Um quebra-cabeça que nunca tinha resposta: “Ela dorme porque não sai leite e se cansa de sugar? Mas como? Quando aperta sai um monte de leite! Ela suga o suficiente pra matar a fome e depois dorme? Então será que está satisfeita?”.


Enfim, eram perguntas e mais perguntas e a angústia de não ter uma única resposta.

Eram visitas constantes ao pediatra para ver se o ganho de peso estava adequado, era praticamente 24h por dia com ela no peito para estimular a produção, tintura de algodoeiro, chá, canjica, pirão, translactação, água (muita, mas muita mesmo), o que falavam para fazer eu fazia. 

Eu me doei muito para a amamentação, a bombinha elétrica era minha amiga íntima, passávamos longos períodos na luta de manhã, de tarde, de noite, de madrugada. Ainda posso ouvir o seu som da sucção na minha cabeça. Tive a oportunidade de entrar em contato com uma consultora, conversei muito com o pediatra e assim fomos achando o melhor caminho dentro do que era possível ser feito de forma saudável para mim e para minha filha. No decorrer de todo o processo da amamentação, sei que dei o meu melhor, não foi fácil, mas sinto uma paz enorme por ter feito tudo o que era possível! 


O apoio que recebi da minha mãe e do meu esposo foi fundamental. Graças a eles e ao meu instinto materno pude chegar à etapa da maravilha de amamentar. Sou muito grata por ter conseguido viver essa experiência, que foi uma das mais lindas da minha vida.

Se eu pudesse dar um conselho, uma ideia, uma luz: durante a gravidez BUSQUE INFORMAÇÃO com pediatras, enfermeiros, consultoras, com a sua mãe, com outras mães, pergunte como foi com elas, o que fizeram e deu certo. E depois, se for necessário, busque ajuda, existe uma rede de apoio enorme a favor da amamentação tanto na rede pública como privada. 

E sempre escute o seu instinto materno, lembre dele sempre! Principalmente quando houver dúvida, você terá a certeza dentro de si.


Texto:  Natália Polettini,

Ilustração maravilhosa de @iris.ilustracao.

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