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INTRODUÇÃO À PEDAGOGIA WALDORF - POR ANA PAULA VIALE (Professora da Escola Waldorf desde 2008)

Quando recebi o convite para escrever algo sobre a pedagogia Waldorf, senti uma mistura de prazer e dúvida se seria capaz de explicar em um texto de poucas linhas, tamanha complexidade que envolve meu fazer cotidiano.


Sim! Sou professora Waldorf desde 2008, formalmente, mas em essência desde meu nascimento, acredito.


Interessante que justamente, a pessoa querida que me convidou para escrever é esposa do meu também querido primo, que esteve durante a primeira infância, muito próximo a mim e despertou esse olhar e amor pelo desenvolvimento do ser-humano e especialmente, pelos primeiros anos de vida.

Foi a partir desta relação de cuidados e afeto cotidiano que comecei a me questionar, sobre:

Como se dá a formação e construção do ser humano saudável e o que podemos a partir da educação colaborar nesta construção?

Foi no encontro com a pedagogia Waldorf e a antroposofia que comecei a vislumbrar as respostas.

A pedagogia Waldorf, propõe um olhar baseado na “trimembração”, do Homem, com - pensar, sentir, querer - e do mundo com a “quadrimembração” - reino mineral, vegetal, animal e humano/espiritual.


A partir desta proposição que norteamos o trabalho no cotidiano escolar; portanto a pedagogia Waldorf não se enquadra em uma metodologia, mas em uma forma de ver o mundo e o homem, como propõe a antroposofia.


Mas como essa cosmovisão se traduz em uma prática pedagógica?


A partir do estudo constante do conteúdo da antroposofia e do olhar fenomenológico para as crianças que estão sob nossos cuidados, desenvolvemos a partir da junção destes, o que chamamos de intuição. Sim! Consideramos que existe algo que está-entre- tudo o que vemos, algo que chamamos de suprassensível, não de maneira mística, mas como algo que faz parte da nossa constituição.

No primeiro setênio, (período dos 0 aos 7 anos) observamos uma intensidade nas atividades dos sentidos e uma relação pouco seletiva dos estímulos sensoriais, revelando assim uma forte tendência de se entregar ao mundo ambiente.


Seguindo a inspiração antroposófica, criamos ambientes saudáveis, e momentos de alternância entre concentração e descontração, assim como ocorre com nossa respiração que hora bombeia o sangue para dentro do coração e hora irriga todo o corpo com sangue, respeitando diferentes cadências de tempo.


O ambiente escolar nesta fase da vida, que chamamos de jardim de infância, é uma continuação do lar da criança. Por este motivo temos dentro da sala de aula, diversas faixas etárias, e vários ambientes que reproduzem uma casa, como cozinha, quarto, banheiro, enfim tudo para a criança tenha a vivência do ambiente familiar fora dele, já que essa é a necessidade social, mas não a necessidade da criança.

Respeitando a diferença entre os interesses, cada criança pode descobrir em seu tempo as propostas de trabalho trazidas pelos adultos, como fonte de inspiração para o brincar infantil através da força da imitação, que é própria desta faixa etária.


Um exemplo destas atividades são:

aquarela -trabalhos manuais-desenho- euritmia (a arte da forma do som) -culinária - jardinagem, a convivência entre as diversas faixas etárias, como uma casa cheia de irmãos, onde a criança, experiencia o jogo social e as diversas possibilidades existentes nele.

Estas atividades são marcadas pelos dias da semana, mês, ano, e festas cristãs (sem ligação com a religião de maneira confessional, mas propondo a religação, do homem com algo “maior” (natureza) trazendo às crianças a noção de tempo/espaço que ocupamos na escola e no mundo.


Criamos assim um profundo elo com a natureza, os ciclos, as estações do ano, marcando um ritmo interno e externo para a criança. O que ela vivencia, fora na natureza, vive dentro dela também. Assim a criança recém-chegada, de um ambiente, protegido por diversos envoltórios, vai se des-envolvendo (retirando os véus), e sentindo-se parte deste mundo, criando a sensação de que o mundo é BOM. Este é o sentimento que deve aflorar na criança no primeiro setênio, o sentimento de que o mundo é BOM disponibiliza para a criança a criação da confiança para que possam estar aqui na terra, com toda sua densidade e dificuldade.


Considerando que o ser humano “completa” o desenvolvimento, aos 21 anos, desenvolvendo dos 0 aos 7 o querer- dos 7 aos 14- o sentir e dos 14 aos 21 - o pensar - Buscamos desenvolver em nós educadores os sentimentos que deverão ser espelhados pelo educando,de que o mundo é: BOM, BELO E VERDADEIRO.


Sabendo de tudo isso, consideramos que a pedagogia Waldorf, ensina a vida pela vida, e que nenhum método, principalmente na primeira infância é mais poderoso para o processo de aprendizagem da criança, do que o exemplo do adulto e do verdadeiro interesse deste, diante da criança, pelo o mundo e por suas conquistas.Por exemplo: se a criança precisa aprender a amarrar o sapato ela aprenderá isso usando sapatos com cadarço, e não com algum brinquedo, ou as chamadas “atividades da escolinha”, para aprender a amarrar.Essa “escolinha”, que é como costumamos chamar as escolas de educação infantil, são atualmente o local onde as crianças adquirem as três habilidades que carregarão para toda a vida adulta.


O Andar, falar e o pensar.

Estes processos precisam e devem ser zelados por pessoas que tenham um profundo conhecimento do desenvolvimento humano e do mundo.

Muitos estudos atuais confirmam esta perspectiva de que a primeira infância, deve ser muito bem cuidada para evitarmos na vida adulta todos os tipos de males, desde físicos, sentimentais e até mesmo, espirituais.


Que a primeira infância receba toda a atenção e cuidado que merece e que a sociedade em geral, passe a valorizar este período da vida, assim como, aqueles que zelam por ele.


“Tudo o que se apresenta diante de uma criança deve ser digno de ser imitado” - Rudolf Steiner



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