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O conflito de uma mãe de primeira viagem e o uso das telinhas - Por Anna Paula Costa


Uma das coisas mais difíceis na maternidade é aprender a lidar com o que é ideal e o é que possível diante da realidade de cada família. No meu caso, tentei evitar ao máximo a exposição do meu bebê às telas. Nos primeiros meses, eu até consegui. Eu assistia televisão e usava o celular somente quando ele estava dormindo. Na verdade, eu quase não fazia uma coisa, nem outra, já que durante o sono dele, eu também aproveitava para descansar, tomar banho, comer, arrumar a casa (sim, as mães têm outras necessidades básicas!). Então, durante esse período, acabei ficando bastante alheia aos acontecimentos do mundo (afinal, a realidade é que as telas, atualmente, nos trazem as principais fontes informativas).


Com o passar do tempo, não foi mais possível continuar assim. Conforme a rotina do meu bebê foi se estabelecendo, consegui voltar a incluir as telas na minha vida, ao menos, para me manter informada. E no caso dele? Bom, acabei cedendo ao radicalismo. Como? Um exemplo ficou marcante para mim: eu ficava extremamente frustrada durante os trajetos de carro (qualquer que fosse, até uma simples ida à casa da vovó a cinco minutos da nossa). Diferentemente de outros bebês que adoram o balancinho do carro para dormir, o meu filho nunca se manteve tranquilo. Sempre foi bastante estressante para ele. Tentava entreter com brinquedinhos, livrinhos, cantava para ele, mas não durava muito até os gritos e choros se manifestarem. Então, o que fazer? Deixar chorar e esperar até dormir de cansaço? Tirar do bebê conforto e colocar no colo? Colocar um vídeo infantil? Acabei fazendo essa última opção. Conversei com a pediatra dele, que já havia me orientado e explicado sobre os malefícios da exposição às telas, mas, pesando a situação, ela me convenceu de que tudo bem colocar algum vídeo para ele assistir no carro, a fim de sanar um “problema” maior.


Foi assim que começamos nas aventuras de Mundo Bita, Galinha Pintadinha, Bob Zoom, etc. Ouvimos juntos, cantamos juntos e nos divertimos juntos. Fizemos deste um momento da nossa família. Sim, um momento. Hoje ele já está com mais de um aninho e como poderia manter uma exposição zero se ele observa a todos ao seu redor com um celular na mão? Até mesmo o desconhecido no elevador, com o olhar na tela, chama a atenção dele. Nunca ensinei a tocar na tela do celular. Mas ele sabe. Eles sabem. Eles são observadores.


Tenho consciência de que o equilíbrio é a resposta para tudo na maternidade. No meu olhar de mãe, observando as necessidades do meu bebê, o problema não está na exposição ocasional às telas, mas na exposição ilimitada e nada participativa. Priorizamos as brincadeiras, as atividades ao ar livre e, assim, vivemos na dosagem de cada dia.


Por Anna Paula Costa - Mãe e colaboradora do Abraça Infância.


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