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O PODER DO EXEMPLO - Por Raquel Soares Fontes

Certamente você já deve ter escutado a frase: "A palavra convence, o exemplo ARRASTA."

Em se tratando de crianças, é difícil não colocar o EXEMPLO como a ferramenta mais básica, elementar e de maior poder na conexão, educação e disciplina. 


O poder do exemplo é carregado de responsabilidade e de muitos conflitos interiores, talvez por isso seja um dos mais complicados assuntos para se colocar em prática. Afinal, educar é na verdade se auto educar!


Para se tornar exemplo de respeito, gentileza E firmeza JUNTOS, é preciso um pouco mais de prática e consciência por parte do adulto, porque muitas dessas atitudes, quando direcionadas às crianças, não acontecem de forma automática, e pior, acontecem muitas vezes de forma bem confusa onde o que é dito, nem sempre  é exatamente feito.


No caminho oposto, nossas crianças já perceberam desde a tenra idade que as relações mudaram, os EXEMPLOS que hoje possuem são totalmente diferentes do que em outros tempos e isso está diretamente ligado a estrutura de poder social.


Antes o poder era exercido de diversas formas: tradições, hierarquias, gestão vertical, recompensa, violência, medo, dinheiro, ameaças e punições. E o que vemos acontecer hoje são relações sociais mais democráticas, nas famílias, nas escolas e nas corporações. Não é muito difícil perceber que grandes líderes atualmente utilizam ferramentas diferentes com objetivos compartilhados através da responsabilidade, respeito, empatia, discussão de ideias, cooperação, autocontrole e resiliência.


Obviamente as crianças absorvem essa estrutura diariamente e a seguem para a vida. 

Quando os adultos tentam manter sua autoridade por  IMPOSIÇÃO OU MEDO, no antigo estilo “eu sou seu pai e por isso você deve fazer isso”, ou "ME RESPEITA, SE NÃO APANHA", o vínculo e conexão com as crianças ficam estremecidos ou completamente perdidos porque é totalmente conflituoso com o que existe na realidade dela. Pode ser até que funcione no curto prazo, mas os danos que geram nas relações são imensamente maiores e muitas vezes irreparáveis a longo prazo.


É muito mais interessante e poderoso para a criança quando os adultos estabelecem com ela uma linguagem coerente com toda sua realidade e com o que de fato querem ensinar para ela. Ser coerente nesse caso é pensar, falar e fazer aquilo que se quer ensinar. É ser exemplo daquilo que deseja que a criança reproduza.

Por exemplo, respeito se ensina RESPEITANDO, certo? E respeitando não só aos outros adultos mas também as crianças e todos os demais seres.


Como seria para você se estivesse concluindo um trabalho importante no seu computador e seu chefe o puxasse de você porque chegou um colega novo no escritório e você PRECISA emprestar seu computador AGORA, afinal, você não pode estar tão ocupado assim e nem pode ser tão egoísta. Você precisa aprender a dividir... ou como seria se você chegasse em casa e seu marido está furioso porque você deixou sua bolsa no lugar errado e gritasse com você: "Eu já falei MIL VEZES pra você colocar suas coisas no lugar, eu não sou seu empregado. Vá já pro seu quarto e na próxima vez, você vai se ver comigo."


Einstein disse uma vez: "A vida é como jogar uma bola na parede: Se for jogada uma bola azul, ela voltará azul; se for jogada uma bola verde, ela voltará verde; se a bola for jogada fraca, ela voltará fraca; se a bola for jogada com força, ela voltará com força.
Por isso, nunca jogue uma bola na vida de forma que você não esteja pronto a recebê-la”. 

Assim funciona a vida, assim funciona a forma como educamos nossas crianças! Que bola você está jogando para a sua criança? Que treinamento você está conscientemente, dia após dia dando à ela para que ela seja a pessoa que você deseja daqui 20 anos? Jogue a bola certa e esteja pronto para recebê-la de volta!


POR Raquel Soares Fontes - mãe, educadora parental em Disciplina Positiva para Primeira Infância, estudante de neurociência.


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